Os 100 dias de Marcelo

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Passos Coelho disse que era de evitar eleger um Presidente “cata-vento”, e outros, talvez por dor de cotovelo da energia Duracel (passe a publicidade) de Marcelo, chamaram-no “hiperativo”. Enfim, invejas de quem gostaria de dormir apenas 4 ou 5 horas por noite a ler 3 ou 4 calhamaços.
Não que a alegada “hiperatividade” possa ser desconsiderada. Veja-se quantos pais têm orgulho nos filhos “hiperativos”, incentivando-os mesmo a serem-no todo o santo dia. De manhã, escola; à tarde, explicações e muay thai; à noite, e madrugada fora,  o extenuante face. Ainda assim, sempre é melhor ser “hiperativo” que ser um pastelão. Ainda assim, insisto, mais vale atribuir comendas no 10 de junho a cidadãos anónimos, exemplo de heroísmo e verticalidade, do que a figuras públicas de reputação algo suspeita, para não dizer muito pouco recomendável. Ou seja, Marcelo recuperou o prestígio e a imagem da função presidencial, repondo os níveis de popularidade que a instituição Presidência da República historicamente tinha.
Difícil, difícil, imagino, será escolher jornalistas que se adaptem a um PR “hiperativo”, o que me leva a pensar que talvez não seja má ideia escolher os mais “hiperativos”. Não é por nada. É só porque calculo que muitos dos que o acompanham na “lufa-lufa” estejam já a precisar de sopas e descanso. Presumo que seja menos estafante acompanhar um tanzaniano  numa Maratona no Quilimanjaro, debaixo de 50 graus centígrados…
Durante o período de 100 dias, o chefe de Estado teve nada mais nada menos do que 250 iniciativas, o que perfaz uma média de 2,5 iniciativas diárias para estar, tal como prometeu, “o mais próximo possível das pessoas”, e apenas não esteve em antena 18 dias. Entretanto, já fez sete viagens ao estrangeiro e já tem em preparação mais três, um périplo por Cuba, México e Colômbia, previsto para Outubro.
O que é facto é que o estilo do Presidente pegou de estaca e a sua popularidade não para de subir nas sondagens. Nada surpreendente é a sua disponibilidade para selfies e conversas, viajando de Norte a Sul e cumprimentando, desde o mais modesto funcionário a membros do corpo diplomático, confirmando-se a sua propensão para os afetos, que não para ódios de estimação e ambientes de crispação de cortar à faca de outros tempos e protagonistas.
Na deslocação ao Alentejo que designou de “Portugal Próximo”, Marcelo explicou: “Quando de vez em quando me perguntam – e a comunicação social gosta muito de perguntar – se não há risco de aparecer muitas vezes, eu pergunto: como é que é possível estar próximo, estando distante? Ou se está próximo, ou não se está próximo”. Nada mais esclarecido e esclarecedor. Ossos do ofício de antigo professor. Goste-se ou não, o novo Presidente distingue-se nos programas, no registo ativo e de proximidade com os cidadãos, claramente a anos-luz do seu antecedente: austero, com falta de pilhas, e mais propenso a pantufas e robezinho.
A primeira visita de Marcelo à Região Autónoma da Madeira está marcada para o início de julho, coincidindo com o Dia da Madeira, e estão previstas para este ano novas edições do “Portugal Próximo” em Trás-os-Montes, em julho, e na Beira Interior, mais tarde. Há já quem diga que Cristo pode ter descido à Terra, mas Marcelo está em todo o lado. Porém, apesar de inovar no estilo e desdramatizar o clima político, Marcelo está atento e  não deixou de lançar advertências sobre a evolução económica e até sobre possíveis efeitos das eleições autárquicas. A dúvida que fica é se a prática de falar sobre tudo, e todos os dias, será positiva, podendo correr-se, segundo alguns analistas,  o risco de banalizar demasiado o poder de intervenção do Presidente. Em todo o caso, apoie-se o caso raro e rápido de consensualidade na política nacional ou, inversamente, não se veja a hora do seu fim, há que tomar como positiva a pedagogia da sua intervenção política e cívica, a par da sua proximidade com o cidadão comum e a dessacralização da função presidencial.  Tem plena consciência de que é o primeiro catedrático de Direita eleito por sufrágio direto e universal, o que o obriga a dar o exemplo de um Estado de Direito. Em face do exposto, não nos restam dúvidas de que certamente o fará.

Quando a saudade aperta…

Interrogado, pouco antes da sua saída (felizmente definitiva, já lá vão gloriosos três meses) se fez tudo como quis e tudo bem ao longo dos seus dois mandatos em Belém, Cavaco Silva, em modestíssima “autoavaliação” disse a rir: “tudo, tudo, tudo”. Claro que não poderia ser de outra maneira, a não ser a rir. Então não se diz que é uma virtude uma pessoa rir-se de si mesma? Chega mesmo a ser hilariante se pensarmos que Cavaco fez “tudo, tudo, tudo” tão bem, tão bem que acabou por sair pela porta do Portugal dos pequeninos, com a pior popularidade presidencial desde que vivemos em democracia. Até Salazar conseguiu ser mais popular numa sondagem realizada pela RTP aqui há uns anos!
Minha Nossa Senhora, mesmo na hora da partida de Cavaco (e  já foi tarde)  não havia um espelhinho à mão.Resultado de imagem para cavaco silva
“Tudo, tudo, tudo” uma perfeição, a saber: a venda das ações da SLN/BPN, a compra do Pavilhão Atlântico, a urbanização duvidosa da Quinta da Coelha, as resmas de condecorações a gente de carácter para lá de duvidoso. Claro, e sem esquecer  os amigalhaços do costume, como o “beato” Oliveira e Costa, o “angelical” Rendeiro ou o “sacrossanto” Dias Loureiro. Fica ainda a sua admirabilíssima gestão governativa, designadamente na forma como lidou com os fundos comunitários, a entrada na (então) CEE, com o clientelismo, com as pescas e o mar, a agricultura ou o “monstro da Administração Central”.
Tudo, tudo, tudo de acordo com o «nunca me engano e raramente tenho dúvidas», ou “Para serem mais honestos do que eu têm de nascer duas vezes”.
Fora isso, só me vêm à memória os “míseros” 10 000 euros que não lhe chegavam para as despesas, a garantia da solidez inabalável do BES, o deslumbramento com o sorriso feliz das vaquinhas dos Açores, a sua gastronómica preferência pelo bolo-rei, entre outras pérolas dignas de antologia.
“Fiz tudo, tudo bem e mereço descanso”,disse. E os portugueses, naturalmente a morrer de saudades, ainda mais descanso  merecem… dele.
Consta que irá recolher-se, talvez “em oração” e “retiro”, numa ala já restaurada do Convento do Sacramento, (o mesmo para onde se retirou Madalena de Vilhena, a personagem trágica em que se inspirou Almeida Garrett para a sua peça Frei Luís de Sousa), onde foi instalado o seu muito austero e pobrezinho gabinete de ex-Presidente.
É nesse retiro espiritual que deverá terminar as suas dormentes Memórias, além do ansiolítico volume dos seus roteiros, perfeitos substitutos da clássica contagem de ovelhinhas para insónias e afins.
Contrariamente a Santana Lopes, Cavaco prometeu “Não andarei por aí.”, o que, à partida, poderia deixar-nos muito mais tranquilos, gratos e felizes.
Contudo, antes que comece o foguetório, fica aqui uma nota de prevenção rodoviária. Consta que Cavaco está a reaprender a conduzir, depois de 10 anos a ser conduzido, e houve mesmo quem dissesse que para evitar mais “desastres” talvez não fosse má ideia ser agora Maria Cavaco Silva a pegar no volante, caso contrário pode não ser de afastar a assustadora perspetiva de uma drástica quebra do turismo no Algarve, já que muitos condutores, pelo sim, pelo não, ameaçam evitar as estradas algarvias.

Nódoas éticas política-empresariado

Afinal, não foi só o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais Fernando Rocha Andrade a viajar até ao Euro 2016 com viagens pagas pela Galp. Segundo revelou o “Público” ontem, o secretário de Estado da Indústria João Vasconcelos também se deslocou a convite da petrolífera. Porém, este governante “pagou um bilhete de avião”, disse o gabinete de imprensa do Ministério da Economia.
Certo é que, sendo ou não sendo a solução o pagamento ou o reembolso, a nódoa ética ficou.Resultado de imagem para viagens deputados
Porém, embora menos vergonhoso, não deixam de ser também criticáveis as faltinhas supostamente não patrocinadas de alguns políticos e as suas anedóticas justificações, invocadas aquando das suas idas aos jogos do Euro 2016.
Luís Montenegro, por exemplo, justificou a falta ao plenário no dia da meia-final do euro 2016 com o já “clássico” argumento esfarrapado do  “trabalho político”. Já Hugo Soares, também inspiradamente, justificou a falta com o muito “criativo” “motivo de força maior”. Por último, dois sociais-democratas recusaram justificar a falta. Nada como o desprezo, a reserva, e o “silêncio dos inocentes”.
Houve seis deputados que foram ver a meia-final entre Portugal e o País de Gales, em Lyon, e que faltaram ao plenário nessa tarde: cinco do PSD, um do PS, designadamente  o presidente da Assembleia da República. Justificações houve para todos os gostos e só dois dos deputados, Cristóvão Norte e Emídio Guerreiro, do PSD, entenderam não justificar a falta. Opções religiosas, quem sabe… Na verdade, há razões que a razão desconhece.
Campos Ferreira chegou a dizer tratar-se de um assunto da “vida privada”, o que também é de uma “originalidade” só ao alcance de génios ou da licenciatura de Miguel Relvas.
Hugo Soares, por sua vez, justificou o “motivo de força maior” da seguinte forma: “Entendi não pôr trabalho político. Mas estava a representar os portugueses. Sou deputado 24 horas por dia“. Fica uma sugestão: se a ideia era representar os portugueses, era sua obrigação acompanhar os estágios, treinos, e não falhar um jogo que fosse. Isso, sim, seria ser deputado 24 horas por dia. Foi pena não nos ter pedido aconselhamento.
Juridicamente, é considerado “força maior” todo o evento imprevisível e insuperável cujos efeitos se produzem independentemente da vontade do operador, designadamente as situações de catástrofe natural, atos de guerra, declarada ou não, de subversão, alteração da ordem pública, bloqueio económico e incêndio”. Eduardo Ferro Rodrigues aceitou os motivos apresentados. Todos eles absolutamentes consistentes com a definição jurídica de “força maior”. Ele mesmo foi ver o jogo a Lyon, mas em representação da Assembleia da República. Terá ido patrioticamente ao balneário dar a táctica? O socialista estava “ausente em missão parlamentar“, uma justificação automática, uma vez que só acontece por despacho do presidente da Assembleia da República. A partir de agora, por esta lógica, faltar ao trabalho para assistir a uma partidinha de futebol é “missão parlamentar”. Bem se diz que Portugal é um país de inventores.
No caso de Rodrigues, é o próprio que valida as suas missões, não fosse ele o presidente.
É claro que estamos a falar do Euro 2016. Um acontecimento social, económico e cultural que quer se queira, quer não tem um peso enorme e, como tal, deve ser promovido politicamente. Não vejo mesmo outras áreas que devam reclamar muito mais apoio político… Mas então os deputados, só por irem ao euro, são reprováveis? Nem me passa pela cabeça tal heresia. Agora ir é uma coisa, ir patrocinado é outra, ir patrocinado por empresas em litígio é ainda outra.  Do mesmo modo, Tentar justificar o injustificável através de uma pseudo-argumentação absolutamente ridícula e abjeta  é quase tão fantasioso como a ficção científica. Afinal, quem é que nunca culpou o trânsito, uma constipação, um mal-estar, dores de cabeça, para um arranjo da vida? Em relação aos deputados do PSD e CDS,  penso que seria também importante saber quem  lhes pagou a deslocação .Não é por nada, mas, só para se ter uma noção do grau de promiscuidade a que se chegou, basta referir que só a Caixa Geral de Depósitos, a EDP, a PT e a Galp já empregaram 68 ex-ministros e secretários de estado ligados sobretudo ao PS, PSD e CDS/PP que já no período da democracia ascenderam a cargos bem remunerados em quatro empresas. Será fartar vilanagem? Ou fartar vilanagem?  Acumularam experiência e influência política nas equipas governamentais, aproveitando depois para transitar para as administrações e órgãos sociais destas quatro grandes empresas. Destes, houve 40 que saíram diretamente dos gabinetes do Terreiro do Paço para os novos cargos nestas empresas. A Caixa Geral de Depósitos é a campeã no ranking empregador de ex-ministros e secretários de Estado (23), alguns deles ainda em exercício como é o caso do próprio presidente do banco público, Faria de Oliveira, que foi ministro do Comércio no governo de Cavaco Silva entre 1990 e 1995. Segue-se nesta lista a Portugal Telecom(19), a EDP e a Galp (ambas com 13). Ao analisar apenas os homens que lideravam os Ministérios, verifica-se que 38 levaram apenas um ano (ou até menos) para empregar- se em lugares de destaque em empresas públicas ou privadas, sendo que mais de metade (20) foram mesmo para empresas públicas ou com participações do Estado.
“Quando saí do Governo tive vários convites para ir trabalhar”, reconheceu em 2008 Manuel Dias
Loureiro, ex-ministro da Administração Interna de Cavaco Silva, reconhecendo que sobretudo os contactos que fez no mundo da política o “ajudaram” na vida empresarial que se seguiu (incluindo passagem pelo BPN). O mais curioso é que nunca lhes passa pela cabeça demitir-se, ou, como a senhora Maria Luís Albuquerque e o senhor Durão Barroso, recusar os “tachos de porcelana” na Arrow Global ou na Goldman Sachs. Que seja “legal” não quer dizer que as pessoas que nos representam ou nos representaram não devam ter alguma vergonha na cara. A única solução seria fazer uma lei clara para evitar as portas giratórias e os “presentes” das empresas aos responsáveis políticos.  Repare-se que as escolas de formação dos atuais políticos são as jotinhas, os partidos e os lamaceiros da política municipal. É nestes viveiros e colinhos que singram os golpistas, e quem tem falta de carácter. A fome de enriquecer e extrair benefícios pessoais é o propósito, o único, em muitos casos. Certo é que a pouca vergonha nunca mudará, sobretudo enquanto não pudermos escolher os nossos deputados, em listas abertas, e acabarmos com a ditadura dos partidos. Como alguém dizia, isto é só uma caixinha de robalos, não é corrupção.

Ó… Salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal!


Um recente relatório europeu diz que Portugal está em terreno negativo na capacidade de resposta dos tribunais. É mesmo o sexto pior entre 47 países europeus.
No que diz respeito à eficiência e capacidade de resposta dos tribunais nos processos civis e comerciais – a maioria dos litígios que envolvem cidadãos e empresas – a Justiça portuguesa é das piores da Europa, ocupando a sexta posição a contar do fim entre os 28 Estados-membros da UE.
O tempo de demora de um processo em tribunal é também um dos mais elevados da UE. Também aqui o país ocupa a 4ª pior posição (quase nas medalhas olímpicas de pechisbeque), ultrapassado apenas por Estónia, Eslovénia e Dinamarca.
À luz desta evidência, foi com alegria incontida (talvez só comparável à de ser mãe/pai ou vencedor do Euro 2016) que soubemos que o Tribunal autorizou,desta vez, sem demora, Ricardo Salgado, o Dono Disto Tudo, que, pelos vistos, continua a ser o Dono Disto Tudo, a ir de férias para a Comporta. E ainda há quem diga que a nossa justiça é morosa!!! Veja-se como neste caso “comovente” houve eficiência, capacidade de resposta, celeridade!!!
A nossa justiça, implacável, e neste caso muito bem oleada, entendeu que o ex-banqueiro do BES pode gozar férias fora de casa, mas não pode ausentar-se do país, nem mesmo para a acolhedora e fresquinha Sibéria.
Aplaudimos de pé a primeira parte. Lamentamos, porém, não poder bater palmas à segunda decisão. Desta vez, a justiça foi longe de mais, mas, pronto, é assim, tem mão demasiado pesada com gente demasiado pesada…
O antigo e exemplar presidente do Banco Espírito Santo deixou de estar sob prisão domiciliária há alguns meses, recorde-se.
O misericordioso juiz Carlos Alexandre, do alto dos seus super-poderes, determinou agora que, nos próximos 30 dias, Salgado terá de se apresentar não em Cascais, mas sim na GNR da Comporta, onde irá passar as suas merecidas férias, deixando os portugueses com “uma lágrima no canto do olho”, tanta foi a emoção e concordância em face de tão magnânimo gesto.
Como se sabe, a Comporta é um “pobrezinho” destino de férias para idosos com reformas e pensões de miséria, desempregados, gente roubada por bancos, banqueiros, gestores ou administradores canalhas, privilegiados com o ordenado mínimo, mas, vá lá, sempre foi melhor que um vazadouro municipal.Resultado de imagem para ricardo salgado
É, em todo o caso, compreensível. Depois de onze meses de férias, não era de esperar que um trabalhador tão ocupado gozasse menos do que um mês de férias. Caramba,um homem não é de ferro!
Note-se, a título de curiosidade, que a decisão foi tomada depois de um pedido dos advogados de defesa do antigo banqueiro (uma coisa de fazer chorar as pedras, imagina-se).
Violinos à parte, não há como não compreender o gesto de quase divina misericórdia, a fazer lembrar, dizia alguém, amnistias ou bulas papais. É, na velha tradição, a justiça portuguesa igual a si própria: fraca com os fortes, forte com os fracos.
O que interessa é que Salgado “vai a banhos” e é um homem livre durante 30 dias. Claro que os chamados espoliados (roubados e aldrabados, sem eufemismos) do BES pagam-lhe as modestas férias (agradecidamente e de bom grado) com o dinheiro que não têm para comer ou para fazer férias debaixo de um vão de escada. Já dizia o poeta, Ó… Salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal!
Isto depois de a “remediadinha” Galp recusar-se a pagar os seus milionários impostos, impunemente, o que também não é menos divino em matéria de justiça fiscal. Será uma espécie de “imunidade diplomática”?
Acrescente-se, para regozijo da moralidade e dos bons costumes, a inacreditável sentença recentemente aplicada ao militar da GNR, Hugo Ernano, que só nos pode levar a desacreditar ainda mais fervorosamente na justiça dos nossos tribunais, desfazendo quaisquer dúvidas sobre a idoneidade de grande parte dos nossos juízes. Deixar um profissional (que nada mais fez que o seu dever) na miséria, obrigando-o a indemnizar milionariamente, para mais humilhação e revolta, os ladrões que tudo causaram é, de facto, de gente de juízo!
E que dizer, ainda, do Tribunal Constitucional e do seu enternecedor argumento em favor da reposição das pensões vitalícias, alegando que medidas excecionais não se devem prolongar durante muito tempo e que os deputados e políticos merecem receber a subvenção porque criaram expectativas e estavam a contar com ela. Os funcionários públicos, pensionistas e reformados também não criaram expectativas, sendo obrigados a deixar de contar com elas? Hugo Ernano também não teria expectativas de que a lei em que acreditava lhe fizesse justiça, em lugar de o punir draconianamente, atirando-o para a miséria e exclusão, como se de um ignóbil criminoso se tratasse?
Voltando ao caso salgado, é bom lembrar que foi já no início de 2016 que o juiz Carlos Alexandre transformou a prisão domiciliária do ex-banqueiro em apresentações periódicas. É, sem dúvida, comovente saber que os desempregados têm o mesmo tratamento que os suspeitos de crime com medida de coação como a de Salgado: apresentações periódicas, só que nos Centros de Emprego, e ainda há quem diga que não há igualdade… O que é certo é que Salgado precisava de descansar, não lhe fosse cair um braço! Afinal de contas, (a palavra “contas” não é de todo mera coincidência) ser dono disto tudo, e manter a titularidade, dá muito trabalho, suores e canseiras, há que reconhecê-lo.
Perante este cenário décimo-mundista, quem se atreverá a dizer que o aparelho da justiça está ao serviço dos poderosos? Populismo? Inverdades ou, em bom politiquês, essa não é a questão essencial?
Só se estranha Salgado não ter sido dispensado para ir de férias ao Panamá tratar de assuntos particulares… Mas há que ter fé e saber esperar.
Quem pode, pode!

A manipulação informativa/deformativa

Num mundo marcado pela avalanche diária de informações, onde a complexidade dos factos, dados e eventos é evidente, o processo de distorção informativa provocado pela manipulação de contextos por alguma comunicação social permite perceber como é importante identificar o ADN de uma notícia.Resultado de imagem para virar o bico ao prego
Vem esta nota introdutória a propósito de alguma comunicação social mais apressada ou manipuladora ter, nas últimas semanas, espalhado aos quatro ventos notícias claramente feridas de exatidão, isenção e rigor.
Primeiro, para não destoar da chamada Silly Season, tivemos a falsa notícia de que o atual Executivo decidira acabar com a isenção do imposto de circulação automóvel (IUC) a pessoas com deficiência, esquecendo-se os manipuladores (!!!) de informar que a medida se aplicava quando o imposto a pagar excede os 200 euros, e apenas na parte que ultrapassa os 200 euros. Ou seja, o proprietário de um carro que tenha de pagar um IUC de 250 euros, por exemplo, acaba por pagar apenas 50 euros na altura em que tiver de o fazer. Seriam pormenores? Informações de somenos importância? Ou o segredo do negócio está em ser, conveniente e subrepticiamente, seletivo?
Registe-se que a este propósito, o Ministério das Finanças veio esclarecer que, do universo total de veículos, cerca de 90% estão em condições de obter uma isenção total, ou seja, pagam menos de 200 euros de IUC, e 8% dos veículos terão valores de IUC a pagar inferiores a 50,61 euros. Resumindo, nas contas do fisco, apenas 2% dos veículos terão valores de IUC a pagar superiores a €50,61, havendo, afinal, limites mínimos. Mais uma vez, pormenores, mas o que vale é que a mentira tem perna curta.
Como não há uma sem duas, os habituais intoxicadores da opinião pública voltaramà carga com a notícia habilidosamente manipulada de que a Autoridade Tributária passaria a ter acesso a todas as contas dos residentes em Portugal, mesmo que sem suspeitas ou acusação de delito fiscal.
Não obstante, depois da manipulação, desconhecimento ou incompetência na divulgação da notícia, e depois de os do costume procurarem insidiosamente “envenenar” a opinião pública, abrir telejornais, suscitar correntes de especulação, censura e ataques virais nas redes sociais, a verdade acabou por ser reposta quando se soube por alguns órgãos de comunicação social (apenas alguns mais sérios) que a medida só se aplica a saldos acima dos 50 mil euros. Abaixo desse valor, ficarão fora do radar de controlo.
Acresce que o Ministério das Finanças adiantou que os bancos só serão obrigados a fornecer essas informações quando os saldos das aplicações financeiras dos clientes que residem em Portugal ultrapassarem o limiar dos 50 mil euros. No caso de um não residente com contas bancárias em Portugal, o Fisco português irá fornecer à entidade homóloga do país onde essa pessoa vive os saldos e juros de todas as aplicações financeiras. Já quanto aos cidadãos que vivem em Portugal e têm dinheiro lá fora, as autoridades fiscais estrangeiras vão obter informação junto das instituições e enviar esses dados para Portugal.
Em todo o caso, se bem que a manipulação não tenha surtido os efeitos desejados, acabou (como em muitos outros casos paralelos) por revelar-se produtiva para os seus promotores. Assim se venderam mais jornais, e assim se pôs fermento de padeiro em audiências televisivas acerca da (in)constitucionalidade do diploma, procurando alimentar a ideia (perversamente cozinhada pelas vozes do dono) de que o Governo teria poderes para passar a pente fino todas as contas, de todos os clientes dos bancos, mesmo sobre quem nunca recaiu qualquer suspeita de delito fiscal.
Em suma, se é certo que a cultura tradicional do jornalismo enfatiza a veracidade e exatidão de factos e dados, não é menos verdade (perante os gritantes exemplos em apreço) que ainda não desenvolveu o mesmo grau de especificidade e detalhe em relação aos procedimentos editoriais, contextualizando correta, profissional e honestamente uma notícia. A quem poderão aproveitar estes entorses éticos e deontológicos? Suspeito que há muito Observador a apanhar Sol a mais na moleirinha.

“O dinheiro não tem cheiro”, diziam os romanos

O ex-presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, vai ser o novo presidente do conselho de administração do Goldman Sachs International. Em inglês, “chique a valer”, Barroso será “chairman”..Resultado de imagem para durão barroso cherne
Ora, se dividirmos a palavra, literalmente, ficamos com “homem da cadeira”, e Barroso sempre sonhou com cadeiras, danças  de cadeiras e cadeirões de trono.
As portas-giratórias são também uma das suas especialidades. Sempre a somar… Ah, grande ex-MRPP!!!
Aos indefectíveis fãs, (os chamados “Je suis  Barroso”),  desaconselho o lançamento antecipado de foguetes, não vá gerar-se um incêndio nos seus resorts, com as temperaturas elevadas que por aí andam.
O ex-governante até já tinha revelado em entrevista à SIC que iria retirar-se da política ativa e que tinha recebido um convite. Melhor, “A cereja no topo do bolo” é que iniciará funções já a partir deste mês. O banco emitiu uma nota oficial onde confirma a contratação e demonstra confiança nas capacidades do português. “A sua perspetiva, capacidade de julgamento e aconselhamento vão trazer um grande valor ao nosso Conselho de Administração, aos nossos acionistas e aos nossos clientes”, pode ler-se na nota publicada no site da Goldman Sachs. Ou seja, é garantido que ninguém vai ficar “de tanga”.
Nada mais lógico, portanto, que este convite. É naturalíssimo  recrutar para as suas fileiras, uma figura ligada ao divino, como Barroso, que foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo. Faz todo o sentido…e, diga-se o que se disser, é óbvio que não há conflito de interesses…de espécie alguma.
Proferiam os latinos a certeira frase “pecunia non olet” (o dinheiro não tem cheiro), o que só vem provar que finança e política cheiram demasiadas vezes ao mesmo. Calma, não vá alguém ficar com ideias esquisitas. Barroso será apenas presidente NÃO-executivo, alegadamente um prémio, como contrapartida de serviços que fez quando era, alegadamente, o lacaio de Bruxelas.
O bom, sábio e velho Salazar, de que tanto fascista travestido de democrata vive saudoso, é que lá tinha a sua razão com o curioso aforismo: ” Em política o que parece é “.
Passemos um olhar sumário ao historial de Barroso. Na qualidade de presidente da Comissão não teve qualquer projeto político decente. Abandonou o cargo com uma pensão vitalícia de 132 mil euros por ano, o equivalente a 11 mil euros por mês (notícia do «Daily Mail»), mais um subsídio de «transição» e de «reintegração» durante os próximos 3 anos, que pode chegar aos 200 mil euros, por cada ano, para além de um salário extra de 25 mil euros, mais despesas de deslocação. Parafraseando Miguel de Sousa Tavares, “Um inútil bem pago”, agora, ainda por cima, beneficiando da tradicional promiscuidade de cargos públicos e privados com um belíssimo tacho na tenebrosa Goldman Sachs.
Só de passagem, recorde-se que a Goldman Sachs foi a entidade que ajudou a maquilhar as contas gregas, com os resultados que se conhecem. Em 2001, perante graves problemas financeiros, e a necessidade de respeitar o Tratado de Maastricht que exigia que todos os membros da zona do euro mostrassem melhorias nas contas públicas, a Grécia pediu ajuda à Goldman Sachs. Esta emprestou àquele país 2,8 mil milhões de euros através de um esquema financeiro complicadíssimo, disfarçado de swap cambial não contabilizado, de modo que a dívida da Grécia em moeda estrangeira foi convertida em obrigações em moeda local, utilizando uma taxa de câmbio fictícia. Consequentemente, 2% da dívida da Grécia subitamente desapareceram das contas. Pelos “favores”, a Goldman cobrou 600 milhões de euros. Por curiosidade, à época, o vice-presidente para a Europa da Goldman Sachs era… Mario Draghi, atual presidente do Banco Central Europeu. Coincidências.
A verdade, cada vez mais cristalina nos tempos negros que vivemos, é que são as instituições privadas, que nunca se submetem a sufrágios eleitorais, a mandar nos poderes públicos, mesmo nos eleitos.
Dito de outra maneira, a promiscuidade perdeu todo o descaramento, e começa a ser tão transparente que as pessoas parecem já aceitá-la, de braços caídos, com espantosa naturalidade.
No entanto, estar na gestão da coisa pública e transportar para privados a informação privilegiada ganhou foros de vulgaridade, reduzindo a zero o valor da democracia, ou seja, são os privados não eleitos a mandar nos públicos eleitos.
Tal como se passou com Paulo Portas, outro “edificante exemplo” da centenária amizade CDS-MPLA, Barroso esteve em licença sem vencimento na CE e agora volta para os seus patrões de sempre. A pergunta que se deve fazer é a seguinte: Como é que um antigo maoista convicto passa a marquês, faz as vezes de mordomo na Cimeira dos Açores, e termina como tecnocrata europeu?
Juncker, só depois de forçado por Emily O` Reilly, já deu ordens para que o ex-presidente da Comissão Europeia seja tratado como qualquer outro lobista.
Durão Barroso vai tornar-se, assim, no primeiro ex-presidente da Comissão Europeia a ver retirados os chamados “privilégios de passadeira vermelha” por Bruxelas, na sequência do cargo que ocupa na Goldman Sachs, avançou o jornal Financial Times. Mas não há chatice. Vai à passadeira vermelha da SIC, que é quase a mesma coisa.
Goldman Sachs, só por acaso, esteve no centro da crise do subprimes, uma das maiores crises económico-financeiras mundiais de todos os tempos.
Até  para o Presidente francês, François Hollande, que também não é grande espingarda moral ou ética, a atitude de Barroso “moralmente é inaceitável”. Não sei se alguma alma inocente esperava, em lugar da passadeira vermelha, uma carpete de brasas misturadas com vidro e pregos… Se assim era,  santa ingenuidade!
Quanto a Juncker, também não tem pouco que se lhe diga. Então não é que aquilo lá no Luxemburgo é uma seriedade, começando pela lavagem de dinheiro e branqueamento de capitais?
Será que o único «país» europeu de jeito foi a Grã-Bretanha, por ter deixado estes cretinos a falar sozinhos? A Islândia, o paradigma, de que tão pouco se fala, é que lhe oferecia de bom-grado uma passadeira vermelha, daquelas de lava vulcânica, de um vermelhusco incandescente.
Já Maria Luís Albuquerque, jurou a pés juntos que “nunca tinha ouvido falar” da Arrow Global, antes de dezembro de 2015, quando foi convidada a assumir um cargo na financeira londrina. Confesso que, inicialmente, até pensei que Arrow era aquela série da TV Cabo ou que a Mota-Engil era uma espécie de Autoeuropa, mas de montagem de motorizadas italianas? Críticas, disse em entrevista à RTP Maria Luís, são baseadas em “populismo e má-fé”. A ex-ministra das Finanças até realçou que “ética não é questão de número de anos”. Ou seja, a ética não é uma questão geracional…
Maria Luís Albuquerque inicia as funções de administradora não executiva na gestora britânica, um cargo que causou polémica, já que a antiga ministra das Finanças pretende continuar a exercer o cargo de deputada. Nada de ilegal apurado. Porém, convém reconhecermos que lei e justiça não são forçosamente a mesma coisa. Maria Luís vai trabalhar em média dois a quatro estafantes dias por mês e terá que estar presente em 10 reuniões por ano, em que a Arrow Global reune todos os administradores para receber uns míseros 70 000 euros anuais. A estas verbas a antiga ministra junta os mais de três mil euros de salário de deputada e 25 euros por dia para ir trabalhar ao parlamento. Uma razia!
Seja como for, é comovente a moralidade invocada por Maria Luís. Em bom rigor, nâo tem rendimento para pagar a renda, pelo que necessita de um segundo emprego. Seguindo o conselho de Passos Coelho, Maria Luís não foi “piegas” e emigrou para Manchester, como os 25% de portugueses que andavam a contar cêntimos como ela, e precisam de um segundo salário no estrangeiro.
A antiga detentora da pasta das Finanças acrescentou que não vê qualquer incompatibilidade legal nem ética em trabalhar para a empresa porque, reitera, a ética “não é uma questão de tempo”, mas sim de “comportamento constante”. “Se em algum momento eu tivesse, por algum ato enquanto governante, dado a esta empresa algum tipo de tratamento privilegiado ou algum tipo de benefício, eu não iria  trabalhar para esta empresa nem daqui a um ano, nem daqui a três, nem daqui a cinco, nem daqui a seis”, afirmou. E o Pinóquio assinou imediatamente por baixo. Afinal, para alguns políticos ou partidários das patrióticas causas “Je suis Maria Luís”, ou “Je suis Durão Barroso”, a ética tem prazo.

Colocar o telemóvel no silêncio ou colocar-se no silêncio ao telemóvel?

Nos tempos que correm é raro o café, a esplanada ou restaurante que não disponham de “wifi” gratuito, qual chamariz para clientela tecnologicamente mais dependente.
Por mais pequeno e acanhado que seja o estabelecimento de restauração ou outros, é quase uma ofensa o proprietário não ter o aparelhinho de rede e a respetiva palavra-passe de acesso, à mão, caso não queira perder clientela ou ser tido por jurássico.
O “Pau de Selfie”, espécie de canadiana invertida, já não é tão visto em esplanadas de pequena dimensão (julgo eu), em razão de se poderem acidentalmente (que Deus nos livre!) enganchar uns nos outros, desmanchar penteados, mergulhar na bica alheia ou ficar a nadar no molho do prato do dia, mas, como diz a sabedoria popular, ainda aqui vamos…
Claro que família “moderna” que se preze também não pode ir comer fora uma “espetadinha” sem levar o indispensável portátil, o inevitável tablet, o obrigatório smartphone ou iphone e, claro, os imprescindíveis headphones, naturalmente para estar em plena comunhão com a ocasião, o ambiente, o convívio, o momento de socialização.
Um jantar romântico “comme il faut”, hoje por hoje, já não dispensa as lanternas dos telemóveis do casal apaixonado, em lugar das ultrapassadas velas (com a acrescida vantagem de se evitarem focos de incêndio), bem como da oferta de um cartão de memória de maior capacidade, em lugar daquele caduco anel de pedido dos cotas.
Para se poupar no português até se poderia fazer a encomenda do jantar, com cafés e sobremesas incluídos, via correio eletrónico, só para não perder tempo a falar com gente desconhecida, como empregados de mesa, ou incomodar as criaturas distantes e virtualmente presentes, chamadas filhos ou sobrinhos, com perguntas sobre preferências de “acompanhamentos”. Há que poupá-los a esses atrapalhos!
Além disso, é uma excelente oportunidade para os avós porem aquela coisa chamada  “conversa” em dia, lá entre eles, sobre “cozinheiras” a petróleo ou cartas paleolíticas da Venezuela.
Celebração religiosa “in” é também hoje aquela em que se ouvem telemóveis no “levantar a Deus”, aproveitando-se os momentos de “aleluia” e leituras do evangelho para enviar e receber SMS, normalmente inadiáveis, de extrema urgência, do género atualização de fotografia no facebook em “modo” “olha para mim em registo devoto”.
Por este caminho, prevejo, não serão estranhos, a muito breve trecho, avisos como os do seguinte teor:
Silêncio (desliguem os telemóveis) que se vai cantar o fado.
Atenção (desliguem os tablets) que este é um local de oração.
Respeito (desliguem os portáteis) que estamos num velório.
É favor não fazer selfies, muito menos, a sorrir. Você está no campo de concentração de Auschwitz. Aliás, hoje em dia, há um fotógrafo profissional em cada esquina disponível para registar incêndios, cheias, acidentes de viação, entre outros, para enviar aos 3000 ou 4000 amigos.
“Deitar a mão” pode ficar para depois. Alguém que chame os bombeiros. A prioridade é a foto e o sucesso que vai fazer nas redes sociais. Isso, sim, é que é de valor!
Há mesmo pais “babados” que me dizem que os seus filhos enviam mensagens uns aos outros quando estão sentados lado a lado no sofá. Nada mais natural. Entre namorados também se vê, e já quase ninguém estranha. É, por assim dizer, o novo entendimento de “calor humano”. Hoje, e até parece que estou a ver, em versão atualizada, Romeu suicidar-se-ia por asfixia com o fio do carregador, e Julieta far-se-ia explodir com um smartphone daqueles marados da Samsung.Resultado de imagem para dependência celular
Enfim,  sentar-se atualmente a uma mesa de café e estar rodeado de pessoas que nos são próximas, como familiares, amigos ou colegas de trabalho, absoluta e resolutamente distantes ou deliberadamente alheios, já não é exceção, mas, muito pelo contrário, regra. A regra de “o meu gadget é maior que o teu”, “o meu tem mais pixels/gigas/apps” ou quantos likes  tem o canito a alçar a perninha para fazer chichi nas minhas pantufas e pupu no teu pé de alface.
Este é o “admirável mundo novo” a caminhar para uma espécie de “autismo” voluntário (perdoe-se-me a força do termo), porventura  humanamente mais gélido que o roçar de dois icebergues no Ártico da solidão ou alienação modernas.

“Nem rei nem lei (…) Este fulgor baço da terra / Que é Portugal a entristecer”, já dizia Pessoa

“Nem rei nem lei (…) Este fulgor baço da terra / Que é Portugal a entristecer”, já dizia Pessoa